A CULTURA TECNOLÓGICA E O NOVO CONTEXTO EDUCACIONAL

Ricardo Limão 1

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Introdução

Este artigo tem como finalidade discorrer sobre a cultura educacional e a evolução da tecnologia integrada ao cotidiano escolar, observando tanto a posição institucional, quanto o trabalho do professor.

Conhecer os preceitos tecnológicos, somados aos pedagógicos, para uso em sala de aula é premissa para se alcançar o aperfeiçoamento e a dinamização do trabalho proposto pelo currículo escolar. A tarefa de integrar as novas tecnologias digitais de comunicação e informação à sala de aula não é usual, visto que toda inovação tecnológica educacional deve estar em conformidade com o projeto pedagógico e apoiada nos documentos balizadores da aprendizagem, além de consolidar o modelo de cultura organizacional onde professores, aprendizes, colaboradores, comunidade escolar em geral e espaço escolar estejam integrados.

Observando que o cerne para que ocorra sucesso na aprendizagem está no resultado dessa interligação, tem-se que a tecnologia torna-se aliada se for empregada de forma planejada e ordenada pelas diretrizes pedagógicas em vigor.

Este artigo está pautado em pesquisas e estudos bibliográficos e fundamenta-se em autores como Almeida e Rubim (2004), Bacich e Moran (2017) e Moran, Masetto e Behrens (2013), levando em consideração a relação entre os conceitos abordados e a prática profissional no âmbito do processo de ensino e aprendizagem.

 

A Cultura Digital e o Ensino Formal

São muitas as dificuldades encaradas na educação formal. Podemos ressaltar a constante busca pela qualidade dos conteúdos, as formas de disseminação dos mesmos e o desafio de ofertar o ensino para cada vez mais indivíduos.

Como é de se esperar, as tecnologias de informação e comunicação não oferecem solução para todos os desafios que se apresentam, porém o emprego das mesmas na educação desempenha um papel importante, permitindo estratégias metodológicas diversificadas e avaliação constante da prática pedagógica docente, bem como do desempenho discente.

Para as instituições educacionais, o aculturamento educacional digital não é simples de ser implantado e mais complexo ainda de ser mantido. Moran, Masetto e Behrens (2013) advertem que as tecnologias digitais de informação e comunicação desafiam não só escolas de educação básica, mas as empresas educacionais de forma geral, na busca por novas alternativas ao ensino tradicional e na fundamentação da aprendizagem na participação e integração entre os agentes. A cultura digital que dará suporte a inovação tecnológica educacional deve ser incorporada pela escola, e todos os seus agentes, antes mesmo de qualquer outra ação de implantação ou ainda adequação. Somente assim o uso da tecnologia terá legítimo valor no empreendimento escolar.

 

A Escola Contemporânea Diante da Evolução Tecnológica

Para todas as escolas, guiadas pelas imposições do mundo contemporâneo, há uma ruptura com o sistema tradicional enraizado na educação e uma necessidade de que a tecnologia traga vantagens da obtenção do sucesso no processo de ensino e aprendizagem. O público mudou, os hábitos são outros, porém a garantia de que o trabalho seja significativo na sala de aula é o objetivo a ser perseguido, sem deixar de levar em conta as incertezas indissociáveis à implantação de um novo projeto educacional pautado em tecnologia.

A entrada no novo século determinou aos alunos o incremento de novas habilidades e competências e é de responsabilidade da instituição escolar, e por consequência dos profissionais que nela atuam, o desenvolvimento de práticas pedagógicas e estratégias que promovam o desenvolvimento intelectual, o autoconhecimento, a comunicação interpessoal e a autonomia.

Para a escola, a inserção de um projeto educacional com suporte da tecnologia emergente, é preciso o estabelecimento dos vínculos entre os interesses dos aprendizes e os instrumentos educativos adotados. A escola tem que estar organizada para integrar o projeto pedagógico, bem definido e vigente, ao uso dos recursos digitais educacionais e comunicacionais. O uso da tecnologia não se limita à gestão de recursos e infraestrutura, mas também à gestão de pessoas e do tempo, com intenção de alcançar o êxito total do projeto escolar. Para Almeida e Rubim (2004) a articulação dos diferentes agentes da comunidade escolar no processo de incorporação das tecnologias digitais na escola, tanto administrativo quanto pedagogicamente e na criação de condições para a formação continuada do seu contingente docente, proporciona a transformação do espaço escolar em um ambiente de discussão e partilha de conhecimento.

Esse é o modelo de escola que se espera hoje, dinamizada pelo uso da tecnologia, que investe em infraestrutura física, formação humana continuada e cumpre a responsabilidade de fornecer acesso educacional aos docentes, alunos e a impactar positivamente na comunidade onde está inserida, atuando como agente de mudança do meio.

 

O Papel do Professor Frente aos Novos Desafios

Não basta trazer tecnologias digitais para dentro da sala de aula, para que o processo de ensino se transforme qualitativamente. Deve-se, no âmbito da gestão educacional, considerar a formação e o suporte ao profissional educador. A instrumentalização do docente deve ser bem refletida pois, no encontro das tecnologias digitais de informação e comunicação com o processo pedagógico, o docente passa a cumprir um papel proeminente, integrado ao habitual. Torna-se desenvolvedor de trilhas de aprendizagem onde os discentes construirão alicerces, farão investigações e executarão práticas para o progresso na aprendizagem. 

Para Bacich e Moran (2017), seguindo essa perspectiva, o professor passa pela transformação da sua prática em sala de aula, atuando de maneira mais complexa e ampliando o papel de detentor do conteúdo e transmissor de conceitos; agrega a gestão de caminhos, tanto coletivos, quanto individuais; prepara-se para aquilo que está antevisto no programa regular e também para momentos imprevisíveis de aperfeiçoamento, criatividade e arremetidas empreendedoras.

 

Considerações Finais

A grande característica que tem moldado a chamada sociedade da informação e do conhecimento é o uso intenso da tecnologia. As TDIC amparam toda a comunidade educacional deste século XXI, que já se encontra cada vez mais conectada digitalmente, com acesso a uma rede ampla de informação e comunicação e, assim, com novas relações com o conhecimento.

A tarefa de integrar as tecnologias digitais de comunicação e informação à sala de aula não é simples, porém necessária. Deve ser compreendida como uma melhoria e evolução dos processos de ensino e aprendizagem.

 

Referências Bibliográficas

Almeida, M.; Rubim, L. (2004). O papel do gestor escolar na incorporação das TIC na escola: experiências em construção e redes colaborativas de aprendizagem. São Paulo: PUC-SP.

Bacich, L.; Moran, J. (2017). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso.

Moran, J. M.; Masetto, M. T.; Behrens, M. (2013). Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas: Papirus.


[1] Licenciado em Matemática. Especialista em Educação Matemática. Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: ricardolimao@gmail.com.

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